Thursday, November 30, 2006

foto, foco, foto, foco,...
centro agora sinto dentro o foco.
preciso dele e ele me precisa.
o louco vê a porta aberta e sorri por conferir sua insanidade crônica e leal.
agora o foco é sair da foto pra vida real.
atingido por bala perdida o louco esperou o tempo demente passar,
o tempo decente voar.
removeu, aos berros, o projétil,
quase foi ao inferno de tanta dor.
com mãos-de-tesoura acariciou a raiz do mal,
coçou os olhos pra não mais visualizar o rosto (ama)_do marginal.
o que lhe restou?
sua própria voz lhe dizendo: agora vai.
foi?
foi.
mas ela está lá - bela cicatriz.

Sunday, November 19, 2006

essa paz que me domina é a mesma que me mata.
não quero ser perfume que fica um tempo em seu corpo e depois passa.
nada sei sobre o amor, esse do qual as pessoas fogem.
só daquele que faz alarde, que se supera e se expõe. que morde.
q u e r o s e r a m o r d i d a!
nunca de
volta e meia me deparo com pessoas estranhas no meu convívio.
não entendo do que falam, o que sentem, o que sonham...
língua estranha!
ouço, atenta, os murmúrios do meu coração e isso me basta.
a culpa não fica por que estou salva por minha verdade bendita.
essa que às vezes se transforma, mas enquanto aflita é a verdade da hora.
os ferrolhos se abriram e me trancaram nesse absurdo de mundo.
mundana. humana é o que sou.
e se sou...estou, não é mesmo?
não sou de plástico.
sou de carne, de cravo, de ronchas, de rugas, de olhos inchados, de cabelos assanhados, de calos nos dedos, de pelos nos braços, nas pernas, nos seios, nos olhos, no alto, no piso, nos meios.
acordo nua.
e desejo minha nudez perto da sua.
o louco surtou ou não sei o que!

Saturday, November 18, 2006

eletri ficados
soltos, o duo, corpos em movimento
e uma estatificada.
às três da madrugada
tudo e nada
os três personagem de uma mesma história
sem glória, mas apaixonante.
homem e mulheres abraçados por urtigas gigantes.
febre e ritmo
esperando pelo nada às três da madrugada.
vermelhos, suados, queimados, mas de braços dados.
um tudo que lembraremos no futuro quando este for nada.

Thursday, November 16, 2006

nada de recortes, de romances
não foi visão, nem transe

nunca imaginei
ele
um bouquet
sem mesmo o conhecer
me apaixonei, porque...
as flores,
vivendo nas cores mortas do beco escuro...
foi tudo tão...
ele surgiu,
e me viu com seus olhos de juventude.

- oh! meu rapaz o mundo revelou-se imenso.
ele me ensinou tanto naqueles segundos
em que esbarrei em sua beleza
quando vinha dormente de incertezas, de mim mesma.

em seu percurso-reta,
sem desvio
eu

- lindo menino!
bem-vindo sejas
antes tarde do que nunca
só pra me dizer:
- me escuta!
- essas flores a vida mandou pra você.

juro que ouvi!

e ele mudo
sem alarde
com um sorriso nos lábios
naquele começo de tarde
sumiu pelo jardim

Sunday, November 12, 2006

surpresa
linda
surpresa
cuidado
surpresa
medo
surpresa
dor
surpresa
desespero
surpresa
chôro
surpresa
alívio ou não.
não sei.
como saber?
se você não diz nada!

Tuesday, November 07, 2006

poesio canção fúnebre da qual lanço mão nesse momento-parto do hoje porque tive que romper limites inimagináveis por mim desconhecidos e cair nesse vazio que é a busca pelo apagar do ontem sem mais precisar durar às 24h que nos sobram sonhando alguém que me enxerga apenas nas pequenas pausas que sua realidade amada lhe concede.
ninguém anda tão louco como ele!
ele tá desbravando florestas cerradas. escuro, espinhos, fogo, pedras ponteagudas, lama e armadilhas estão aí. ele segue cego surdo mudo pra não desistir de algo que mesmo que digam absurdo ele acredita e deseja.
quer e ainda quer ainda quer mesmo vendo uma luz intensa que brilha no fim-do-túnel porque ele tá seguro do que explode em seu corpo inteiro. e nessa luta insana persegue a luminosidade pra tentar fazer do hoje ontem saudade sonho lindo seu segredo suas pérolas sua vida.

Monday, November 06, 2006

adrenalina, adrenalina, adrenalina
o louco não pulsa mais
agora é caldeirão que chamusca, queima, fumaça e não seca, apesar de seco.
vale coberto por larvas é esse corpo que, suado, doente, dormente, não repousa.
sente cada suspiro das folhas no corredor ao lado do claustro e adentra à noite em desespero.
os gatos orgasmam sem descanso sobre esse quadrado em que giro sem eixo.
adormeço e pesadelo com você. com o desprezo seu. com a perseguição no olhar do homem que ri e balança seu whisky on the rocks aguardando minha queda. grito sem força. mas ninguém me ouve. não fujo porque não consigo. no susto desperto. volto à realidade que não é menos difícil.
oca. vazia.
recomeço.

Friday, November 03, 2006

ela tem razão.
ela tem razão demais!
o que vejo é que ela é só razão.
ela é a própria razão.
razão que faz o pulso dele permanecer. alterado, acelerado.
o louco.
- mula-sem-cabeça.
ele grita com ela pra ver se ela se confunde com ele.
ele implora quando sangra.
passou a ser ridículo por ela.
palhaço melancólico, augusto em sua paixão.
passa a bola sem pudor, sem gagues, sem ela: a razão dela.
e desanda, descompasso, quando ela surge do nada.
e escorrega...,escorrega...,escorrega..., e se arranha... e não mais chora.
só espera a próxima hora de vê-la de novo pra voltar a ter razão pra respirar. não a dela. ela.